CONFRARIA DA CORUJA


04/06/2008


VIOLÕES

 

Como são tristes os acordes

dos violões em serenata,

que atravessam as madrugadas,

na tentativa de responder

os enigmas da tristeza,

que a simples vivência não pode,

nem em sonho, resolver.

Como são nostálgicas

as mensagens dos violões,

que ensinam os amantes

a enfrentarem com galhardia

o desespero e o sofrimento

de um amor que já acabou...

Como são doces as cantigas

de amor dos violões,

estas que ensinam os jovens

a prudentemente esperar,

do amor estranhas mazelas,

ao invés de tolas venturas

e de sonhos de realização...

 

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h43
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A RIMA BOA

 

Quero encontrar a rima boa

para poder, enfim, terminar

com chave de ouro esta loa

que um dia irá me consagrar...

Quero a rima que o povo entoa,

no dia a dia do seu falar,

para compor um versinho a toa,

que um dia irá me consagrar...

Quero ver como é que soa

esta rima que encontrar,

para que ela seja a coroa

que um dia irá me consagrar...

Quero a rima que apregoa

a mercadoria a se liquidar,

ou então, aquela que povoa

o sonho que irá me consagrar...

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h43
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A SORTE NAS CARTAS

 

A sorte nas cartas,

a sorte lançada,

       o futuro,

       o passado

a vida e o nada...

A verdade das cartas,

a mistificação do poder,

       a vidência,

       a eficiência,

os estertores da Ciência!

Combinações nas cartas,

naipes e números,

       figuras, segredos,

o impossível de ocorrer!

A morte nas cartas,

a morte marcada,

      o destino, o carma,

a volta à vida passada,

correndo contra o relógio

para dizer coisas escondidas

e ditar regras, direções,

       leis e idiossincrasias,

impossíveis de aceitar...

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h43
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AMÉRICA CATIVA

                

América cativa,

agrilhoada na dívida

pelo poder dos dólares

e pela opressão insana

do capitalismo selvagem...

América cativa,

sufocada por escusos

interesses internacionais...

Quintal do mundo,

lixão do capitalismo,

e, antes de tudo,

pasto, despensa,

onde o odiento rapinante

vem buscar, diuturnamente,

o seu sustento.

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h42
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AOS ABRAÇOS COM A VIDA

 

Na tela amarela

está quem por mim vela,

aos abraços com a vida insurgida.

E a cela, a trela

em mim esculpidas,

não eram belas

nem sinceras como ela.

Aos abraços com a vida

a bela é dela,

e é também dela

a vela amarela construída

de macela e tela,

de cor pálida e singela.

Aos abraços com a vida

ela é a tela

onde se pintam

as histórias de amor,

que abraçadas

com a vida se entretecem...

E dela a vida zomba,

como aquela vela,

pois não é feliz

quem sofre

por causa das tramas

da vida que acontecem.

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h42
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CANSAÇO

 

Sentir o tempo passar

sem ter nada para fazer,

é o mesmo que tomar veneno

e deitar-se para morrer...

Ver a vida sem alegria,

sentir o cansaço de vivê-la,

é o mesmo que querer felicidade

sem nunca ser capaz de tê-la.

Sentir o cansaço de ser

na vida apenas uma imagem,

é o mesmo que estar no retrato,

é o mesmo que mandar mensagem

algures para as estrelas,

na esperança de encontrar alguém

onde, há milênios se sabe,

não pode existir ninguém!

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h42
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CRIANÇAS

 

Fecha os olhos!

Deixa que te beije,

deixa que te olhe bem...

 

Talvez a noite

que te impede de ver

seja a mesma noite

que trago dentro de mim.

 

Querida...

Talvez sejamos jovens para amar,

mas o nosso amor,

esse amor não é criança!

 

Fechemos os olhos...

Somos crianças

sonhando com um amor

que talvez termine

quando voltares a ver...

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h42
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CURIOSIDADE MUNDANA

 

Insinuou-se em saber

a curiosidade mundana,

como foi acontecer

no mundo a primeira pavana.

E respondeu o mundo,

com toda prioridade,

que a fonte dela, no fundo,

era a tal da curiosidade...

Viu o homem na mulher

alguma coisa diferente,

e este foi o mister

que lançou a semente

de toda história de amor.

A vitória, o risco de quem ama,

que ainda hoje é o motor

que leva a gente pra cama.

 

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h41
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        ESPERANÇA NUNCA MORRE

 

                   Muita gente reconhece que este foi um ano muito duro, cheio de percalços e de transformações sociais e políticas, muita gente tem reclamado da vida por causa da política, das coisas injustas do dia a dia, mas ninguém se queda a pensar que o amanhã pode ser pior, e trazer os terrores do efeito estufa, que através do malfadado "El Niño", promove catástrofe atrás de catástrofe, de tempos em tempos; ou mesmo a ameaça das ameaças, o caos social proveniente de uma humanidade que viu exaurirem todos os recursos materiais de que dispunha. É um verdadeiro final dos tempos, quando estamos, apenas, sentindo na pele o gosto do nossa própria irresponsabilidade e teremos, enfim, de pagarmos as nossas dívidas para com a natureza e a divindade!

                   Fazer o quê! Dizem uns, mas esquecem que este já é um mundo quente demais, que traz em seu bojo um ar rarefeito e pesado, cheio de detritos, fumaça, produtos químicos e elementos desconhecidos. Um mundo de mesa escassa, e mesmo assim reciclada com pesticidas, conservantes, contínuos amigos e companheiros de todos nós. Deus quer assim! Dizem outros, mas esquecem que este é um Deus humano, que traz muita tristeza em suas mensagens, porque, de certa forma, este ano, o brasileiro demorou muito para chegar até o meio do ano... Os que chegaram! Porque ficaram muitos sem-terra, sem-teto, sem-emprego, sem-hospital, sem-salário, sem-esperança, espalhados pelos caminhos tortuosos de um país enorme, de  gigantescos problemas sociais, de coração grande, mas que diminui por causa da decepção reservada pelas surpresas, que sempre teimam em aparecer, vindas do escuro, da Ásia, da África, do FMI, dos credores internacionais, de dentro de nós, das sombras, do nosso não conformismo e da nossa falta de fé.                

                  E Jesus, um dia nos disse, muito sabiamente, que deveríamos amar o nosso próximo como a nós mesmos. Seguimos fielmente as suas palavras, promovemos campanhas para alimentar os miseráveis, os desnutridos, os menos favorecidos pela sorte; não pela sorte divina, mas pela sorte de conseguirem estudar, de arranjarem um bom emprego, de terem oportunidade de se manterem nesse emprego, para assim garantirem a sobrevivência. Infelizmente, por sermos um país gigantesco, de dimensões continentais, por termos cidades com número de habitantes maior que muitos países da Europa e de outros continentes,  nem todos conseguem! E os que não conseguem, voltam, aos nossos olhos horrorizados, como exemplares de uma inusitada fauna a povoar as ruas, as praças, os nossos medos e os nossos pesadelos mais inomináveis.                                                            

                      Desejam resolver os problemas do mundo globalizando as economias, usurpando com a miséria os países menos favorecidos e escravizando os que não conseguem acompanhar os passos dos gigantes com suas pernas frágeis e curtas e nem pensam nos que não têm estímulo para conseguir nada, quanto mais a passagem, só de ida, para o mundo dos ricos. Para estes, só existe a realidade de que a esperança nunca morre!

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h32
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FLOR DO CLÃ

 

Ai! Quão vão és, má dor que não faz bem

E não me dás só vez de sol e paz.

Ai! Quão chã és, tal dor que só me vem

Pra ser tão rés, e ser a que me faz

 

O fã do fim, do fel dum só que tem

Na cruz o mal, o sal, o pó, o gás,

Da luz sem par, sem lar, que é o zen

Da flor do clã, que só a dor me traz.

 

Ai! Flor do clã, que a fé não quer me dar,

Nem quer ser gen do dom que é a foz

Da mãe da luz sem fim, que é um lar.

 

Ai! Flor do clã, que a rir vem ter a nós

Bem cá na mão, pra ter a lei de par

E ser o fim da luz, que não tem voz...

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h31
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FUGAZ COMPANHEIRA

 

Fugaz companheira

a me perseguir

pela noite adentro,

eis a embriaguez

a me estontear,

a me colocar

no risco da sarjeta,

a fazer-me outra vez

de seu freguês.

Ela me assombra

com sua forma

viperina,

fonte da minha

insensatez,

e suas unhas

felinas,

que ferem meu couro,

como me querer o sangue

para algum ritual.

Suga-me a vida,

a maldita!

E consome

meus doces anos

de juventude,

com seus dentes afiados,

a sua insana fome

de destruir...

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h31
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GRÁFICO ESTÉTICO

 

Estou elétrico!

Não sei o que tenho

para ficar assim.

Estou diabético!

E ninguém em volta

tem pena de mim.

Açúcar dietético!

É este o destino,

é este o meu fim.

Gráfico estético!

Até que um regime

não seria ruim...

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h30
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LUIZA

 

Ela me espera...

No fim da noite, ela me espera,

demonstrando nos olhos ansiosos

a vontade de uma realização

que toda a força dos homnes

tornou em impossibilidade, em esperança!

E por isso, ela espera...

Trazendo nos olhos cansados

uma vida que não quer viver,

mas que as vicissitudes

transformaram em único viver.

Um viver de procuras

e de esperas vazias,

que jamais poderão se concretizar.

Bem por isso ela espera,

espera da vida o que a vida

jamais vai poder lhe dar,

e da carne que a enlaça na cama

o que ardentemente pede,

com os olhos em pranto,

mesmo sabendo que,

fria e inerte,

esse corpo sem personalidade

só vai negar... negar...

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h30
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MAGIA

 

Magia é o recém-nascido...

Mal deixa o ventre materno

já se vê resumido

a um grande ser eterno.

 

É o cansaço do sol

que corre pelo espaço,

e queda-se no arrebol.

explodindo-se em mormaço.

 

Magia é sobretudo

aquela parte da gente,

que sendo nada, contudo,

é a parte inteligente.

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h30
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MÃOS DADAS

 

De mãos dadas, sempre unidas,

corações despreocupados,

dividimos nossas vidas

com as vidas dos namorados.

 

Esperanças coloridas,

corações apaixonados,

as paixões loucas repartidas

com os carinhos tão sonhados.

 

Mãos dadas, lábios unidos...

Vamos nós trocando de vidas,

andando assim abraçados

 

por caminhos salpicados

de estórias esquecidas:

nós, eternos namorados...

                                                                                                               

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h29
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MEU MELHOR TEMA

 

Fica pescador de atalaia,

prestando muita atenção,

que lá vem o abacutaia

pegar-te à traição.

Fica pescador cá na praia,

e não me desobedeça não,

senão te picará uma arraia

no teu pé ou tua mão...

Fica, pescador, de prontidão,

e espera o abadejo

levar longe a tua linha...

Vai pescador, evita o abrasão,

e espera o melhor ensejo

pra pescar uma gorda tainha...

 

 

 

 

 

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h29
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MINHA CAÇADA

 

Quero este amanhecer para o nada

bem no meio do meu quintal,

como uma linda aurora boreal

a iluminar a minha caçada.

Quero sua cara toda pintada

de felicidade e de emoção

para afastar esta cerração

e iluminar a minha caçada...

Quero nossa vida enfeitada

que nem sorriso de criança,

quero que a sua confiança

ilumine a minha caçada...

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h28
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MODA CARRASCA

 

A moda de viola me traz

as saudades que já esqueci,

de volta para me fazer

outra vez morrer de sofrer...

Com seu timbre sofrido,

de balada de alcoólatra,

vem com seu ritmo trazer

de volta o que quero esquecer.

A moda de viola me traz

ao coração a melancolia,

e à alma o atroz prazer

do sofrimento reviver...

É uma maldita esta moda,

com seu compasso de morte,

que não é capaz de compreender

aquilo que quero dizer.

Não compreende esta carrasca

que não tenho mais amor,

que não posso responder

aquilo que não posso entender...

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h28
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O ESPANTALHO

 

Em cada derrota da vida

hei de ver o teu rosto

           azulado,

           mesquinho,

hei de ver tua boca

gozando do meu fracasso,

enchendo de pragas

o vazio da minha existência.

Em cada esquina do caminho

hei de sentir tua presença

           escorregadia,

           subterrânea,

escondida demais...

Hei de ver tua sombra

nas paredes do desespero,

apontando para mim

o dedo decidido,

como a indicar que é este

o verdadeiro caminho a seguir.

Em cada queda do corpo,

em cada ferida aberta na carne

pelas vicissitudes do destino,

ou mesmo pelo ódio de viver,

hei de ver que tua mão

torna-se um objeto terno

onde o corpo vagabundo,

sem sentido e sem perspectivas,

pode se apoiar.

Em cada golpe mortal que levar

o corpo do espantalho

deverá, decerto, lembrar-se de ti,

porque tua imagem se superpõe

e torna-se parte integrante,

das minhas lamúrias,

do meu ventre,

do meu nojo de viver!

Em cada recanto escondido,

como sombra, hei de ver-te

assombrando minhas noites sem sono,

tornando em inferno

as minhas insônias intermináveis.

E hei de ver-te como fantasma,

na curva da estrada que leva para o nada.

E hei de ver-te como vertente

no olho d’água que não me mata a sede.

Como a esperança hei de ver-te,

ou como o momento que falta

durante a loucura que de mim se aproxima.

Em cada derrota da vida

hei de ver-te como símbolo de justiça,

ou como uma estátua de gesso

que somente faz acenos

e não pode tornar-se gente!

E em cada corpo que eu tocar

hei de sentir o teu corpo,

em cada beijo que eu beijar,

hei de sentir o roçar morno

dos teus lábios de compaixão.

E em cada curva

que o caminho fizer a minha frente

hei de ver um outro caminho

que irá levar-me até a tua morada.

E depois de adentrar a escuridão,

de dentro dela,

hei de sentir naquelas paredes

o frio da tua ausência,

o hálito do teu não estar.

Então, em cada móvel existirá

a tua marca, ou as tuas promessas,

e naquele nicho de Nossa Senhora

o resto longínquo de algum sonho

que quiseste, um dia, em vão sonhar.

E depois que estiver em prantos,

olhando para tudo aquilo,

que de tanta saudade,

teve mesmo que morrer,

hei de sentir também

uma escuridão na alma,

e hei de voltar correndo para a vida

que por tua causa abandonei!

E quando encontrar

com ela novamente,

hei de ver em cada gota de orvalho,

em cada folha que cai da árvore,

em cada regato que se torna em fonte,

o desalento de uma natureza morta

que não poderá mais reviver!

E hei de sentir que o espantalho

mexe-se no pomar,

enquanto o pássaro pousa em seu ombro,

e hei de sentir-me também um espantalho,

com a cara idiota de panos velhos,

      coloridos,

      desfiados e sujos,

abrindo os braços em desespero,

como se quisesse implorar aos céus

algum caminho melhor que o teu.

E hei de pedir a Deus que te perdoe,

hei de rezar para que ele não te esqueça,

e hei de implorar que ele também

faça de ti

um espantalho louco, insípido

e desesperado como eu...

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h28
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O PÁRA-QUEDISTA DO DESESPERO

 

O ar envolve o salto

do pára-quedista do desespero,

do malabarista do irreal.

O corpo caiu do avião

         do comodismo

que nem um saco de lixo,

         rumo ao chão,

atravessando em seu caminho

léguas de vazio absoluto.

O corpo arroxeado

tem olhos de maquinaria exata,

corpo de ferro-velho

e alma de alquimista.

Decerto, ao tocar o chão

o milagre se faça

e sua miséria

venha a se transformar

num setor burocrático,

que resolva, de uma vez por todas,

a situação efêmera

de milhões de miseráveis como ele!

Decerto o salto inútil

não venha a ser apenas estatística,

mas se torne

num sacrifício oportuno!

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h27
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O PASSO À DIREITA

 

O toque das marchas militares

ecoa, enche as ruas e as casas

como um troar de trovoada,

como uma voz possante e inflamada

pelo orgulho dos mortos

e pelos feitos dos heróis.

A multidão frenética, histérica,

vê a massa fardada que passa

no seu passo de gigante,

batendo os pés, sacolejando os braços,

como se a rudeza daqueles gestos

deixasse transparecer

a ânsia varonil

que seus peitos tanto aspiram.

E a multidão delira! A multidão geme,

sentindo o orgasmo febril

das paixões políticas e sociais,

sentindo a satisfação voluptuosa

de ver a força bruta,

a demonstração do poder das armas,

a desfilar garbosa e masculina

ante seus olhos chispantes,

ante seus olhos de lava,

que escondem atrás de si

a revolta, o ódio e a sede maligna

de ver aquele mesmo exército

lutar até a morte,

num clímax de violência, sangue e dor!

 

Depois passam homens herméticos, frios,

escondidos em tanques,

manejando imensos canhões,

dirigindo poderosos carros de combate...

Parecem monstros amorfos

saídos de algum conto de fada,

ou quem sabe, de um terrível pesadelo!

E a multidão aplaude, urra, baba,

ao ver aquele espetáculo magnífico

de poder bélico, de poder mortal.

E passam os generais engalanados

trazendo o sinete de sua força,

e no estômago, a úlcera, a má digestão

da insatisfação política e social do povo!

Aviões cruzam em algazarra

pelo cimo dos edifícios

marchetado de cabeças,

pontilhado de sorrisos obscenos,

parecendo antes pássaros gigantescos

vomitando, de quando em quando,

a poluição dos confetes coloridos.

Um padre abençoa as armas

fazendo delas instrumento sagrado,

para que jamais disparem menos

que papel colorido e bolhas de sabão.

 

E marcha o orgulho verde da nação

emproando o peito altivo,

empunhando o fuzil amigo

tal qual feras de anilina

de panos e de metal.

Os tambores rufam mais alto

mostrando a todos

os acordes da liberdade:

-- Passo à direita. Um... Dois...

-- Passo à direita. Um... Dois...

Meu filho assiste à tudo

eufórico, alegre, vibrante,

no seu entusiasmo infantil.

E levado pela febre magnífica

sacode os bracinhos finos,

levanta as perninhas frágeis,

e bate no chão os pezinhos fracos,

enquanto a boquinha pura

entoa na sua ingenuidade angelical:

-- Passo à dileita. Um... Dois...

-- Passo à dileita. Um... Dois...

 

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h27
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O RESTO DOS ANOS QUE ME FALTAM

                                            

O meu desespero sempre igual

as eternas noites sem dormir,

e essa vivência de marginal

que insiste em me denegrir,

insiste tanto em me perseguir...

E esta paixão que me consome

sem que eu possa mais impedir

que ela me destrua com sua fome.

 

Meu desespero vago, mortal

que já cansei de tanto sentir,

esse que açoita tal vendaval,

que assola como a me consumir.

E peço à paixão pra que me tome,

que me faça na vida insistir,

que ela me destrua com sua fome.

 

Meu desespero é um punhal

que faz tudo em nada resumir.

E a resposta ao golpe fatal,

é implorar que não deixe ir,

não deixe minha vida mais seguir.

E de vez sem caminho, sem nome,

a mercê do meu louco sorrir,

que ela me destrua com sua fome!

 

Ele mora aqui, em minha mão come

tal pesadelo que vem e some

entre os sonhos que me assaltam

como se fossem monstro disforme

do resto dos anos que me faltam...

 

 

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h27
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QUE É A VIDA?

 

A vida, que é a vida?

É porventura labuta,

a esperança prometida,

ou apenas é uma luta,

violenta, crua, renhida,

que esta gente dissoluta

julga que está perdida,

por covardia absoluta!

A vida, a que se destina?

É a procura de justiça

ou é a busca que termina,

com a recusa da preguiça,

uma busca que nos ensina

a vencer a injustiça...

 

 

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h27
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SAUDADE

 

Tão longe de ti estou...

Aqui nesta noite triste

a saudade inda persiste,

a saudade que ficou.

 

Da lembrança que restou

um amor ainda existe,

um amor ainda insiste

em lembrar o que passou.

 

Foste embora meu amor!

Mas ficou alguém chorando

esperando um beijo teu.

 

Volta, volta por favor!

Não me deixes recordando

um amor que não morreu.

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h26
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SOUVENIR

 

Qual foi a finalidade

o motivo deste amor?

Por que toda esta saudade,

por que toda esta dor?

 

Um amor é esperança,

é vontade de sorrir.

Vai o amor fica a lembrança,

um pequeno souvenir.

 

Parta agora sem demora,

sem amor e sem chorar.

Podes ir chegou a hora,

a hora de me deixar.

 

Não me olhe, pode ir,

nem precisa me lembrar.

Já deixaste umn souvenir

para eu ter porque chorar...

Escrito por Carlos Moraes Júnior às 00h26
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