ESPERANÇA NUNCA MORRE
Muita gente reconhece que este foi um ano muito duro, cheio de percalços e de transformações sociais e políticas, muita gente tem reclamado da vida por causa da política, das coisas injustas do dia a dia, mas ninguém se queda a pensar que o amanhã pode ser pior, e trazer os terrores do efeito estufa, que através do malfadado "El Niño", promove catástrofe atrás de catástrofe, de tempos em tempos; ou mesmo a ameaça das ameaças, o caos social proveniente de uma humanidade que viu exaurirem todos os recursos materiais de que dispunha. É um verdadeiro final dos tempos, quando estamos, apenas, sentindo na pele o gosto do nossa própria irresponsabilidade e teremos, enfim, de pagarmos as nossas dívidas para com a natureza e a divindade!
Fazer o quê! Dizem uns, mas esquecem que este já é um mundo quente demais, que traz em seu bojo um ar rarefeito e pesado, cheio de detritos, fumaça, produtos químicos e elementos desconhecidos. Um mundo de mesa escassa, e mesmo assim reciclada com pesticidas, conservantes, contínuos amigos e companheiros de todos nós. Deus quer assim! Dizem outros, mas esquecem que este é um Deus humano, que traz muita tristeza em suas mensagens, porque, de certa forma, este ano, o brasileiro demorou muito para chegar até o meio do ano... Os que chegaram! Porque ficaram muitos sem-terra, sem-teto, sem-emprego, sem-hospital, sem-salário, sem-esperança, espalhados pelos caminhos tortuosos de um país enorme, de gigantescos problemas sociais, de coração grande, mas que diminui por causa da decepção reservada pelas surpresas, que sempre teimam em aparecer, vindas do escuro, da Ásia, da África, do FMI, dos credores internacionais, de dentro de nós, das sombras, do nosso não conformismo e da nossa falta de fé.
E Jesus, um dia nos disse, muito sabiamente, que deveríamos amar o nosso próximo como a nós mesmos. Seguimos fielmente as suas palavras, promovemos campanhas para alimentar os miseráveis, os desnutridos, os menos favorecidos pela sorte; não pela sorte divina, mas pela sorte de conseguirem estudar, de arranjarem um bom emprego, de terem oportunidade de se manterem nesse emprego, para assim garantirem a sobrevivência. Infelizmente, por sermos um país gigantesco, de dimensões continentais, por termos cidades com número de habitantes maior que muitos países da Europa e de outros continentes, nem todos conseguem! E os que não conseguem, voltam, aos nossos olhos horrorizados, como exemplares de uma inusitada fauna a povoar as ruas, as praças, os nossos medos e os nossos pesadelos mais inomináveis.
Desejam resolver os problemas do mundo globalizando as economias, usurpando com a miséria os países menos favorecidos e escravizando os que não conseguem acompanhar os passos dos gigantes com suas pernas frágeis e curtas e nem pensam nos que não têm estímulo para conseguir nada, quanto mais a passagem, só de ida, para o mundo dos ricos. Para estes, só existe a realidade de que a esperança nunca morre!